quinta-feira, 6 de abril de 2017

Textos são o foco da Língua Portuguesa nos exames



Questões puramente gramaticais são raras e dão lugar à interpretação e aplicação prática dos conceitos.

Aquela prova de Língua Portuguesa cheia de questões teóricas de gramática está quase extinta dos vestibulares. Nos modelos atuais das principais universidades e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o foco é nos textos, muitos textos, e interpretação. Mas se o gramatiquês não aparece, os conceitos ainda são necessários.

De acordo com o professor e coordenador de Português do Curso ETAPA, Heric Palos, é uma tendência dos exames reduzir tudo aos textos, verbais ou visuais, e à interpretação deles.

O professor explica que o foco é naquilo que faz parte do dia a dia dos candidatos. “Tem aparecido muito quadrinho, muita propaganda, infográficos, textos que estão adequados ao cotidiano”, comenta Palos. Trechos de artigos podem aparecer, mas são menos comuns e geralmente seguem a mesma linha de contextualização.

Sem decoreba

Se no passado era comum que as provas tivessem uma cobrança direta de conceitos gramaticais, isso não é mais regra. No entanto, Palos alerta que eles não podem ser deixados de lado. “O texto não é absolutamente nada - a questão é o que se faz com o texto. A gramática vai dar os mecanismos, o instrumental, para lidar com o texto”. No entanto, a decoreba não funciona. “Não cai mais o gramatiquês, mas é preciso saber gramática”, completa. Se a decoreba não funciona mais e o gramatiquês caiu em desuso, é necessário saber gramática tanto para a redação quanto para a solução de questões que envolvem concisão, coesão, pontuação, figuras de linguagem, entre outras. “Muitas vezes, o conceito é dado e cobra-se a percepção daquilo”, comenta. Por exemplo, pode ser apresentado um texto e a questão pedir para que seja identificada uma metáfora. “Dá-se um exercício de ambiguidade que pode ser resolvido com uma vírgula, por exemplo. Mas se não houver domínio do uso da vírgula, não se vai resolver”, cita.

Nas provas de vestibular e Enem, o professor ressalta que o ponto central cobrado é o entendimento dos textos. Segundo ele, os testes provocam uma interpretação guiada para saber se o estudante entendeu o que está escrito. “A questão é você interiorizar a regra e usá-la de forma consciente”, explica.

 Fonte: g1.globo.com

quinta-feira, 30 de março de 2017

Atividade sobre Texto Literário e Texto Não Literário (denotação e conotação)



Texto I - Descuidar do lixo é sujeira 
Diariamente, duas horas antes da chegada do caminhão da prefeitura, a gerência (de uma das filiais do McDonald’s) deposita na calçada, dezenas de sacos plásticos recheados de papelão, isopor, restos de sanduíches. Isso acaba proporcionando um frequente e lamentável banquete de mendigos. Dezenas deles vão ali revirar o material e acabam deixando os restos espalhados pelo calçadão. (Veja São Paulo, 23/12/1992)

Texto II - O Bicho (Manuel Bandeira)
Vi ontem um bicho 
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

# Exercícios:
1. Os dois textos apresentam semelhança quanto ao conteúdo. Qual é essa semelhança?

2. O texto I, considerando o título, parece enfocar o quê?
a) homens se alimentam de lixo
b) sujeira que os mendigos deixam na rua
c) o McDonald´s deposita sacos de lixo na calçada
d) o caminhão da prefeitura recolhe o lixo

3. No Texto II, que sentimento do eu lírico se manifesta na expressão "meu Deus"?
a) crueldade
b) indignação
c) euforia
d) conformismo

4. Qual dos dois textos é literário? Por quê?

5. Qual é não literário? Por quê?

6. Explique a diferença entre sentido denotativo e sentido conotativo a partir do verso "Vi ontem um bicho".

7. Qual alternativa abaixo a palavra destacada foi empregada no sentido conotativo (figurado)?
a) "Dezenas deles vão ali revirar o material..."
b) "... deposita na calçada dezenas de sacos..."
c) "... deixando restos espalhados na calçada."
d) "... propiciando um lamentável banquete..."

8. Marque a afirmativa correta sobre o Texto II - "O bicho"
a) é gênero dramático
b) é gênero narrativo
c) é gênero lírico
d) é gênero jornalístico

# Explique sua resposta:

9. No texto I, foi empregada uma palavra em que houve alteração na grafia após o Novo Acordo Ortográfico. Qual é essa palavra?
a) gerência
b) sanduíches
c) frequente
d) lamentável

# Explique sua resposta:

10. Sobre a variedade linguística utilizada nos dois textos, foi empregada com predominância
a) a variedade padrão em ambos os textos
b) a variedade não padrão em ambos os textos
c) a variedade literária nos dois textos
d) a variedade jornalística nos dois textos

Fonte: Português: Linguagens

# RESPOSTAS (GABARITO)

sexta-feira, 17 de março de 2017

Análise do poema "Erro de português" (Oswald de Andrade)


Assunto: Modernismo no Brasil (1ª fase) 

- Os modernistas brasileiros surgiram com o sentimento de liberdade de criação e desejo de romper com o tradicional.
- Tem início oficial com a Semana de Arte de Moderna de 1922, com apresentações de artistas;
- Principais nomes dessa fase: Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira.

Leia o poema abaixo de Oswald de Andrade:

Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

# Exercícios:
1. A que fato da história do Brasil o 1º verso se refere?

2. Metaforicamente, a que fato se refere o 3º verso?

3. O poema nos traz uma hipótese: a inversão do fato histórico.
a) Que verso expressa essa possível inversão?

b) Expliquem os versos seguintes (os 2 últimos). Quais poderiam ser as consequências da inversão?

4. Enfim, as palavras "vestir" e "despir" foram empregadas em que sentido no poema?

5. Identifique 3 características da linguagem poética do Modernismo nesse poema.

6. Oswald lamenta a história como foi: "Que pena!". Você acha que, se os portugueses não tivessem colonizado, mas sim se submetidos à cultura indígena, nosso país estaria melhor? Justifique sua resposta.

terça-feira, 7 de março de 2017

Atividade sobre sentido denotativo e sentido conotativo


Assunto: Denotação e conotação

Leia estes textos:

TEXTO 1
Cavalo de fogo

Mas a minha mais remota recordação
só muito tempo depois eu vim a saber que era um cometa
e precisamente o cometa de Halley
– maravilhoso Cavalo Celestial! –
com a sua longa cauda vermelha atravessando, ondulante, de lado a lado,
bem sobre o meio do mundo,
a noite misteriosa do pátio...
Jamais esquecerei a sua aparição
porque
naquele tempo de espantos e encantos
o cometa de Halley não se contentava em parecer em cavalo, apenas:
o cometa de Halley era um cavalo!
(Mario Quintana)

TEXTO 1
Cometa. [...] Astro geralmente formado de um núcleo pouco denso, quase sempre com uma cauda luminosa e que descreve, em torno do sol, uma elipse muito alongada. (Dicionário Escolar da Língua Portuguesa) 

Exercícios:
1. Apesar das diferenças que têm quanto à linguagem e à organização, os dois textos apresentam um assunto em comum. Qual é ele?

2. Compare estes dois conceitos de cometa:
"maravilhoso Cavalo Celestial com a sua longa cauda vermelha"
"Astro formado de um núcleo pouco denso, quase sempre com uma cauda luminosa"

a) Em qual dos conceitos há uma explicação objetiva (sentido comum)? Por quê?
b) Em qual dos conceitos há uma explicação com sentido subjetivo (figurado)? Por quê?

3. Para dizer o que é um cometa, o autor do texto I atribui características a ele por meio de imagens. Veja:
"Cavalo Celestial com a sua longa cauda vermelha"

a) Que características o cometa (de Halley) e um cavalo têm em comum?
b) Qual a razão do emprego do adjetivo celestial?

4. Quais versos expressam, na visão do eu lírico, quando menino, a certeza de que o cometa não era um astro, mas um animal?

5. Compare os dois textos.
a) Qual deles explora as emoções do autor e do leitor?
b) Qual deles é mais objetivo e impessoal?

Fonte: Cereja e Magalhães (Português: Linguagens)

Atividade sobre pontuação (desvios da língua)


Assunto: Pontuação

A pontuação expressa nossas emoções, nossos pensamentos, mostra, muitas vezes,
como é o fluxo do nosso pensamento e como este é organizado na escrita.

Observe a diferença provocada pela presença e pela ausência da pontuação:

I. "Não, vamos à festa".
II. "Não vamos à festa".

# Reflexão:
a) Em qual a presença da vírgula confere um sentido afirmativo à frase?
b) Em qual confere tom negativo à frase?


# Exercícios:
1. Explique a diferença do sentido entre uma frase e a outra com ou sem a presença da vírgula.
a) "Não, espere." / "Não espere."

b) "Vamos perder, nada foi resolvido". / "Vamos perder nada, foi resolvido"

c) "Esse juiz é corrupto." / "Esse, juiz, é corrupto."

2. O problema de pontuação nas frases abaixo causa confusão de sentido. Reescreva-as adequadamente:
a) "Vendo meninas, aceito cartão."

b) "Estou vendendo meu filho não usa mais."

c) "Não vejo a hora de comer Jesus."

d) "Esqueci de dar, boa noite."

e) "Brasil perde o 1º set. Vamos virar meninas."

f) "Proibido bicicletas fumar cães."

g) "Respeite o pedestre não, pare na faixa."

h) "Oi, como você, tá?"