sábado, 20 de abril de 2013

Atividades sobre Variedades Linguísticas (Variação linguística)

Leia este poema, de Elias José:

À moda caipira
Para a Sonia Junqueira, pela parceria e amizade.
U musquitu ca mutuca
num cumbina.
U musquitu pula
i a mutuca impina.

U patu ca pata
num afina.
U patu comi grama
i a pata qué coisa fina.

U gatu cum u ratu
vivi numa eterna luita.
U ratu vai cumê queiju,
vem um gatu i insurta.

U galu ca galinha
num pareci casadu.
A galinha vai atrais deli
i u galu sarta di ladu.

U pavão ca pavoa
mais pareci muléqui.
A pavoa passa réiva
e eli só abri u léqui.

U macacu ca macaca
num pareci qui si ama:
ela pedi um abraçu,
ele dá uma banana…

Eu mais ocê cumbina
qui dá gostu di vê:
eu iscrevu essas poesia
i ocê cuida di lê…
(Cantos de encantamento. Belo Horizonte: Formato, 1996. p. 22.)

Exercícios:

1. Ao escrever esse poema, o autor não obedeceu às regras ortográficas da língua portuguesa.
a) Leia o nome do poema e tire uma conclusão: Por que, na sua opinião, o autor escreveu o texto desse modo?
b) Qual é o dialeto que o autor usou para escrever o poema?

2. Compare as palavras abaixo. As da coluna da esquerda estão escritas de acordo com as regras ortográficas, e as da coluna da direita estão escritas  conforme aparecem no poema.
mosquito - musquitu
pato - patu
rato - ratu
a) Quais dessas palavras lembram mais o nosso jeito de falar?
b) Conclua: Nosso jeito de falar sempre corresponde ao modo como as palavras são escritas?

3. Compare em cada par de palavras abaixo as da esquerda com as da direita e tire conclusões sobre  as diferenças entre oralidade e escrita.
mosquito — musquitu parece — pareci insulta — insurta
combina — cumbina come — comi salta — sarta
comer — cumê dele — deli
a) O que acontece com a vogal o de sílabas átonas (fracas), como em mosquito, quando a palavra é falada?
b) O que acontece com a vogal e da sílaba final das palavras, como em parece, quando ela é  falada?
c) O que acontece com a letra l anterior à última sílaba, como em insulta, quando ela é falada?
d) Dessas mudanças, quais são as típicas do dialeto caipira?
e) Por que existem essas diferenças entre oralidade e escrita, na sua opinião?

4. Observe este trecho do poema:
“eu iscrevu essas poesia”
a) Além da grafia da palavra iscrevu, esse trecho apresenta outra variação em relação à
norma-padrão. Qual é ela?
b) Apesar dessa variação, podemos entender que o trecho se refere a uma única poesia ou a mais
de uma? Como é possível saber isso?

5. Na última estrofe do poema, o eu lírico se dirige a outra pessoa e compara seu relacionamento  com ela ao relacionamento de vários animais.
a) Quem é essa pessoa?
b) O que o eu lírico pretende provar com essas comparações?

6. No poema de Elias José, você viu de que modo um caipira faria uma declaração de amor usando seu  dialeto. As gírias relacionadas a seguir pertencem a todas as “tribos”, isto é, a todos os grupos sociais  de hoje. Coloque-se no papel de um skatista, de um surfista, de um metaleiro, etc. e escreva uma  pequena declaração de amor à pessoa amada, utilizando algumas dessas gírias. Se quiser, acrescente  outras. Quando terminar, leia a declaração para a classe e divirta-se com a dos colegas. animal: pessoa muito legal ou agressiva.
avião: mulher bonita.
comer pelas beiradas: chegar de mansinho.
crescer o olho: cobiçar alguma coisa.
dar um gás: fazer alguma coisa rapidamente.
dar um rolê: dar uma volta, passear.
do bem: alguém que é confiável.
ficar: namorar sem compromisso.
firmeza: pessoa legal.
jaburu: mulher feia.
maneiro: algo bem interessante.
mina: menina, garota.
tigrão: garoto bonito, esperto.

Fonte: Português: Linguagens — William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...